Jesus sempre existiu, mas
ninguém é obrigado a acreditar nisso. No entanto, uma vez que alguém decide
professá-lo como Senhor, não teria este a obrigação de seguir os seus
ensinamentos? Quando observado o início do Cristianismo, em humildade, pureza e
amor, a dura realidade que se formou em torno dessa religião nos anos que
mediaram essa época e a revolução causada por Lutero pode causar admiração.
Quantas mortes em nome de
um Deus que é amor! Quanta dor causada por aqueles que deveriam ter aprendido
na pele o horror resultante da intolerância religiosa! Enquanto cristãos
matavam aqueles que Jesus havia vindo resgatar e ensinar uma forma de vida
alternativa (alicerçada no perdão, na esperança e na misericórdia), o seu Cristo
derramava lágrimas de dor pelas vítimas e por ver o quanto os seus ensinamentos
estavam sendo deturpados.
Jesus disse “bem-aventurados
os pacificadores”, e com o seu evangelho de paz ensinou que não se devia revidar
a violência com mais violência. Ele perdoou a mulher adúltera, recomendando
apenas que ela deixasse suas práticas desleais. Quantas vezes ele mostrou que se
importava com os que viviam à margem da sociedade! Ele não desprezou prostitutas
e ladrões, mas ensinou-lhes que não estavam destinados a viver daquela forma, afinal,
todos tem o direito de fazer as suas escolhas.
Jesus não matou Judas por
tê-lo traído! Não agrediu as pessoas que o insultaram. Não usou o seu poder
para impor-se como divino, mas aceitou de bom grado aqueles que, espontaneamente
acreditaram em suas ideias (que eram inovadoras para a realidade do tempo e
sociedade em que viviam). Jesus ofereceu graça aos malfeitores que com ele foram
crucificados (embora apenas um deles tenha aceitado) e perdoou todos os seus algozes,
sabendo que agiam por ignorância aos verdadeiros ensinamentos das leis e profetas.
Se o Senhor perdoou, não
deveria assim fazer os seus servos? Em uma das parábolas contadas pelo Mestre,
seus discípulos puderam aprender que seria perdoando as pessoas que mostrariam
gratidão para com aquele que já os havia perdoado. E que isso era um pré-requisito
para que obtivessem a salvação que lhes era disponibilizada, pois ser salvo significa,
em suma, aceitar o perdão oferecido por Deus.
Se Deus é amor, de onde vem
o ódio que faz com que alguns dos chamados “seus filhos” (o que é ironia visto
que João escreveu que quem não ama não pode ser nascido Dele) faça exatamente
aquilo que é contrário aos princípios da sua fé, sem perceber a discrepância
que há em suas ações? Não seria da falta de conhecimento?
Oséias escreveu, antes
mesmo da encarnação do Cristo, que a falta de conhecimento conduzia o povo ao erro.
E a veracidade dessa informação pode explicar as barbáries cometidas pelos
ditos cristãos. Um dia Jesus disse que os seus discípulos seriam identificados por
meio do amor, logo, quem não ama não pode ser chamado de seu servo. Considerando
isso, que outra explicação haveria para a existência de um cristão que não ama
as pessoas, incondicionalmente, como o seu Senhor, senão a de que falta a ele
conhecer verdadeiramente os princípios que regem a sua fé?
O cristianismo (ou falso
cristianismo) proporcionou anos sombrios de opressão e massacre a todos aqueles
que representavam risco para a única verdade que imperava, na época, que não
era mais a da maravilhosa graça divina, disponibilizada no calvário e obtida através
da fé. O que importava, no momento, era a expansão do reino terreno e a obtenção
de riquezas e glórias a qualquer custo, aproveitando-se da ignorância dos símplices
que cegamente acreditavam em tudo o que lhes era ensinado, sem ter sequer
acesso a fonte real dos ensinamentos de Jesus.
Quando homens, esclarecidos
pela Palavra, percebiam que o evangelho por Cristo pregado se distinguia, de
forma gritante, daquele pela Igreja propagado, se viam diante de um dilema:
seguir a massa ou se rebelar, sabendo que a última escolha quase sempre
resultava em silenciamento, através de mortes dolorosas. Muitos foram corajosos
e, finalmente, um dia uma voz rebelde abriu os olhos do mundo, possibilitando
que a essência do cristianismo fosse resgatada. Isso foi possível porque as
pessoas passaram a ter acesso ao conhecimento a respeito de sua fé.
Muitos anos se passaram desde
Lutero até o ano de 2018 e, infelizmente, muitos dos que se dizem cristãos ainda
estão envoltos em uma nuvem opressora de religiosidade, deixando de prezar pelo
relacionamento com Deus (ora, o propósito da vinda de Jesus não foi restaurar a
comunhão da criatura com o seu Criador?) e como consequência, a falta de
conhecimento sobre os ensinamentos de Cristo, no século XXI, na maioria dos
países, não é resultante do não acesso à Palavra, mas da ausência de interesse
de muitos em se apropriar do que nela está escrito. Tornou-se mais fácil decorar
versículos de promessas convenientes.
Onde há falta de conhecimento
sobre uma verdade, está tende a ser pregada de forma mentirosa. É isso que
acontece muitas vezes. A corrupção não está nas organizações, mas em algumas
pessoas que fazem parte delas. Com o cristianismo também é assim, por isso
tantas heresias são difundidas e a única forma de combate-las é através do
verdadeiro conhecimento dos cristãos a respeito dos princípios que regem a sua
fé.
Se alguém se diz cristão
e não ama as pessoas incondicionalmente, este não conhece a Cristo e não pode
ser chamado de seu seguidor, pois aqueles que se utilizam do ódio, desrespeito
e violência como ferramenta de imposição de suas ideias talvez devessem ser convidados
a conhecer o Jesus que dizem amar para que assim pudessem pregá-lo de forma
apropriada.
A guerra nunca trouxe paz
a ninguém (pelo menos não de verdade, pois o preço pago é sempre muito alto),
já o amor cura, perdoa e resgata, e é também o elemento identificador dos
verdadeiros discípulos do Senhor. Se os cristãos que despejam desrespeito pelas
escolhas alheias passassem a conhecer sobre o evangelho que dizem seguir e
mudassem a sua forma de abordagem, talvez o mundo se abrisse mais para conhecer
Jesus e todos viveriam melhor, afinal, o conhecimento reduz a probabilidade de
erros!