Princesa, fada, professora, dançarina, cowgirl, policial... bem, a lista de possibilidades é grande, pode acreditar. No entanto existe pelo menos uma coisa comum a elas: todas já foram o sonho de meninas que não faziam ideia alguma de como seria o futuro e nem imaginavam o quão complexa seria a vida adulta. Eu queria ser professora, escritora, cantora, engenheira, médica veterinária, estilista, arquiteta, cientista, pastora, missionária e um monte de outras coisas, mas com o passar do tempo a lista foi diminuindo à medida que eu descobria que não vivemos tempo suficiente para fazer tudo e que o dinheiro realmente é importante para quem é "gente grande". Parece bobo, mas, na verdade, foi doloroso ter que, ao longo dos anos, abrir mão de coisas que por muito tempo foram agentes provocadores de sorrisos só de eu me imaginar sendo uma delas. Eu tive que me acostumar à ideia de não ter um jaleco com "Drª. Weide" bordado nele, e de que, possivelmente, eu não descobriria a cura para a Raiva, e que provavelmente não teria peças minhas expostas em alguma Fashion Week pelo mundo à fora. O bom é que a vida te dá um empurrãozinho e não deixa todo o serviço sujo de escolher o que jogar no lixo ou engavetar em suas mãos. Muitas escolhas eu fiz espontaneamente, mas outras, as circunstâncias me obrigaram a escolher. Mas tudo bem, acho que é isso o que chamam de "amadurecer": saber lidar com a realidade sem minimizar a importância dos sonhos e sem deixar de sonhar. Afinal, se por um lado estão os sonhos abandonados, no outro estão os que, de fato, se transformaram em realidade, os que ainda se tornarão, e aqueles que nem mesmo haviam sido pensados, porque a vida não é uma bruxa que simplesmente te tira coisas, ela também presenteia, e muitas vezes esses presentes são melhores do que qualquer coisa que poderíamos ter idealizado. Prefiro pensar nela, não como uma vilã, mas como um filtro pelo qual todos passamos e que durante o processo muitas coisas acabam ficando para trás. Mas se não fosse assim, jamais nos tornaríamos melhores. Sonhar é fundamental, não apenas para a gurizada, mas também para os adultos. São os sonhos que impulsionam as ações que constroem a realidade. Não digam a uma criança que os seus projetos são impossíveis de alcançar (afinal, a definição de impossível pode ser bastante subjetiva). Deixe que ela passe pelo processo de seleção de sonhos, naturalmente, assim, entenderá que não importa o ritmo que a vida toca, porque todos nós somos capazes de aprender a dança-lo com a nossa própria coreografia, e que no fim, mesmo sem realizar algumas coisas podemos superar limitações e voar mais alto do que imaginávamos. Podemos ser maiores que os nossos sonhos! Quer saber? a vida é linda quando aprendemos a olhar do ângulo certo, e é por isso que a chamamos de PRESENTE DE DEUS!
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