Recordo-me de que quando eu tinha oito anos de idade tomei uma vacina antitetânica e ouvi alguém dizer que eu só tomaria outra dose em 2009. Aquelas palavras tiveram um reflexo tão surpreendente em mim que voltei para casa pensando em como seria esse ano. Assim, tentei imaginar-me adulta. Como eu seria? e a minha vida? O que eu estaria fazendo? Meu corpo, meus traços, minha aparência... tudo parecia tão inimaginável. Não consegui enxergar-me com dezoito anos. A partir de então, 2009 tornou-se mágico para mim.
Quando enfim chegou o tão esperado ano já não parecia mais tão mágico como um dia fora, então comecei a pensar em como seria a minha vida aos vinte e cinco anos. Teria concluído um curso superior, conquistado um bom emprego e possivelmente estaria prestes a me casar. Era um mundo tão novo para mim que novamente tive dificuldades em imaginar como ele seria. Mesmo assim, eu tinha certeza de uma coisa: seria mágico.
Finalmente chegou os vinte e cinco... vinte seis... e agora são quase vinte e sete. Praticamente nada do que foi planejado aconteceu, e eu continuo imaginando como será a minha vida no futuro. Mas, uma vez que quem vive no futuro, ou no passado, perde o presente, busco sempre fazer o exercício de questionar-me se nessa tão árdua espera não estou eu a me perder.
Esperar é, muitas vezes, doloroso, mas saber esperar é um dom que, infelizmente, muntos não têm.
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