Olá forasteiro. Como vai? Chamo-me Aprendiz, natural das terras da Insensatez, desde cedo decidi aventurar-me nessas estradas rumo à cidade da Sabedoria. Entre as muitas coisas que eu já vi, recordo-me de ter encontrado, certa vez, um belo jardim. Ah, como era lindo aquele solo coberto das flores singelas e delicadas de Esperança! O seu perfume exalava e contagiava a todos em volta. Nele, o futuro podia ser visto perfumado, colorido e sorridente. Pessoas de todas as partes procuravam comprar algumas de suas flores, mas estas não podiam ser vendidas. Eram bondosamente ofertadas para aqueles que possuíam um terreno fértil dentro de si.
Os canteiros continuavam floridos por toda a primavera e no verão pareciam ainda mais viçosos, mas era só questão de tempo até o outono vir e arrancar as frágeis folhinhas, espalhando-as por todo o terreno. E como se não bastasse, lá vinha o inverno, soprando gelado e espalhando por todos os lados uma densa cinza chamada Desespero. O futuro, naquele momento, tornava-se preto e branco, triste e sem cheiro, e o gelo queimava as pobres plantas que ainda restavam.
O que mais me impressionou, no entanto, não foi a destruição da Esperança, pois na verdade isso apenas causava dor. O surpreendente foi perceber que as folhas que caíam no inverno fortaleciam ainda mais o solo, e a cinza que ajudava a destruir transformava-se em adubo, dando força para que a Esperança novamente brotasse. Então, outra vez vinha a primavera e tudo ficava novamente florido.
E foi assim que na jornada rumo à sabedoria aprendi uma bela lição, a saber, que o desespero que destrói a esperança é o mesmo que fortalece o solo para que ela torne novamente a brotar. Dessa forma, já não mais os vejo como inimigos irreconciliáveis, mas como membros de uma mesma equipe, colaborando entre si, afinal, nem um dos dois existe na ausência do outro. Ora, não é o desespero o fim da esperança e esta última o algoz de seu destruídor?
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