terça-feira, 22 de maio de 2018

SOMOS ÁRVORES?

Como folhas conduzidas pelo vento, o tempo leva consigo muitas coisas. Diante dessa realidade, é bom saber que as árvores permanecem alicerçadas em suas raízes, sábias e exuberantes para contar histórias.

(Texto do dia 19)

domingo, 29 de abril de 2018

DESESPERO E ESPERANÇA

Olá forasteiro. Como vai? Chamo-me Aprendiz, natural das terras da Insensatez, desde cedo decidi aventurar-me nessas estradas rumo à cidade da Sabedoria. Entre as muitas coisas que eu já vi, recordo-me de ter encontrado, certa vez, um belo jardim. Ah, como era lindo aquele solo coberto das flores singelas e delicadas de Esperança! O seu perfume exalava e contagiava a todos em volta. Nele, o futuro podia ser visto perfumado, colorido e sorridente. Pessoas de todas as partes procuravam comprar algumas de suas flores, mas estas não podiam ser vendidas. Eram bondosamente ofertadas para aqueles que possuíam um terreno fértil dentro de si.
Os canteiros continuavam floridos por toda a primavera e no verão pareciam ainda mais viçosos, mas era só questão de tempo até o outono vir e arrancar as frágeis folhinhas, espalhando-as por todo o terreno. E como se não bastasse, lá vinha o inverno, soprando gelado e espalhando por todos os lados uma densa cinza chamada Desespero. O futuro, naquele momento, tornava-se preto e branco, triste e sem cheiro, e o gelo queimava as pobres plantas que ainda restavam.
O que mais me impressionou, no entanto, não foi a destruição da Esperança, pois na verdade isso apenas causava dor. O surpreendente foi perceber que as folhas que caíam no inverno fortaleciam ainda mais o solo, e a cinza que ajudava a destruir transformava-se em adubo, dando força para que a Esperança novamente brotasse. Então, outra vez vinha a primavera e tudo ficava novamente florido.
E foi assim que na jornada rumo à sabedoria aprendi uma bela lição, a saber, que o desespero que destrói a esperança é o mesmo que fortalece o solo para que ela torne novamente a brotar. Dessa forma, já não mais os vejo como inimigos irreconciliáveis, mas como membros de uma mesma equipe, colaborando entre si, afinal, nem um dos dois existe na ausência do outro. Ora, não é o desespero o fim da esperança e esta última o algoz de seu destruídor?

quinta-feira, 19 de abril de 2018

EXPECTATIVAS PARA 2009, O ANO MÁGICO

Recordo-me de que quando eu tinha oito anos de idade tomei uma vacina antitetânica e ouvi alguém dizer que eu só tomaria outra dose em 2009. Aquelas palavras tiveram um reflexo tão surpreendente em mim que voltei para casa pensando em como seria esse ano. Assim, tentei imaginar-me adulta. Como eu seria? e a minha vida? O que eu estaria fazendo? Meu corpo, meus traços, minha aparência... tudo parecia tão inimaginável. Não consegui enxergar-me com dezoito anos. A partir de então, 2009 tornou-se mágico para mim.
Quando enfim chegou o tão esperado ano já não parecia mais tão mágico como um dia fora, então comecei a pensar em como seria a minha vida aos vinte e cinco anos. Teria concluído um curso superior, conquistado um bom emprego e possivelmente estaria prestes a me casar. Era um mundo tão novo para mim que novamente tive dificuldades em imaginar como ele seria. Mesmo assim, eu tinha certeza de uma coisa: seria mágico.
Finalmente chegou os vinte e cinco... vinte seis... e agora são quase vinte e sete. Praticamente nada do que foi planejado aconteceu, e eu continuo imaginando como será a minha vida no futuro. Mas, uma vez que quem vive no futuro, ou no passado, perde o presente, busco sempre fazer o exercício de questionar-me se nessa tão árdua espera não estou eu a me perder.
Esperar é, muitas vezes, doloroso, mas saber esperar é um dom que, infelizmente, muntos não têm.

quarta-feira, 28 de março de 2018

A MALDIÇÃO DO SONHADOR

Tem horas que dá uma vontade louca de desistir. Mas na verdade, na maioria das vezes isso é só uma prova do quão grande é o nosso anseio de conseguir. O problema é que estamos tão cansados de lutar e não ver as coisas acontecerem que somos tentados a tomar o caminho mais fácil.
Já reparou que a vida é mais tranquila e feliz para aqueles que pouco ousam sonhar, ou que quando o fazem é em quantidade devidamente calculada? Então... o problema dos sonhadores é exatamente a falta de noção na dosagem. Ora, se é para sonhar, que seja de forma grandiosa. Que graça tem o sonho se ele não for livre, com extremidades flexíveis e expansivas? Outro problema nosso é que parece que nunca aprendemos. Sonhamos alto, e quando caímos e quebramos a cara é só questão de tempo para tratar dos ferimentos (ou apenas colocar um curativo) e lá estamos nós, outra vez, passeando pelo território do "quem sabe?".
A vida de sonhador não é fácil, o que ora parece bênção, às vezes imita maldição... Por que nunca desistimos quando bate a louca vontade de jogar tudo pelo ar e viver uma vida normalzinha? Talvez porque isso tudo seja maior que nós mesmos e quem sabe se essa não é a arma que Deus nos deu para lutar em prol de transformar a realidade, com a esperança de que sejam os nossos esforços que mudam o mundo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

RESILIÊNCIA





Resiliência. Pensa na palavrinha que está em alta nas redes sociais! Já estou enfadada com a enorme quantidade de postagens a destacando (e veja só, cá estou eu, rss). Não, eu não tenho nada contra ela. O problema é a minha mania de quase sempre analisar as coisas. E isso me faz questionar: "Será que já buscaram o significado disso?"
Muitos estão associando a palavrinha da vez, unicamente à "superação" e "adaptação". É uma moça que conseguiu sorrir outra vez depois de inúmeras noites de choro pelo namorado que a abandonou. É o homem que voltou a andar depois que um bêbado o atropelou. É um atleta que retornou às suas atividades mesmo depois de lidar com determinada deficiência. E a lista só cresce.
Mas e daí, Weide? Está errado empregar "Resiliência" nesses contextos? Claro que não! Só que vejam bem. Esse termo, no sentido literal, devido a sua etimologia, inclui "elasticidade" ou a capacidade de "voltar ao normal". Tem tanta gente superando relacionamentos frustrados, mas se tornando frias e amargas por causa deles. Existem pessoas, que mesmo após adaptarem-se a determinadas situações, nutrem o desejo de vingança em um coração que antes só tinha olhos para o amor. E a quantidade de indivíduos que superaram obstáculos, mas passaram a ver a vida como um inimigo que se deve combater sem tréguas é gigantesca.
Resiliente foi José, que mesmo depois de enfrentar a traição, a calúnia, a cadeia imerecida e de ser esquecido por quem por ele havia sido ajudado, manteve-se com um coração íntegro, limpo e perdoador. A verdadeira resiliência, para mim, é a capacidade que uma pessoa tem de dar um "reset" no coração quando percebe que o sistema foi comprometido.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

ANTIGOS COSTUMES

Eu costumava sair por aí fantasiando com um mundo bonito, onde as pessoas sorriam e falavam "bom dia" para os estranhos. Era um lugar tão especial que ninguém negava um copo de água a um viajante que caminhava debaixo de um sol escaldante, e um simples "obrigado" pronunciado, acompanhado de um riso sincero eram as melhores recompensas para uma existência com significado.

Eu costumava olhar para as pessoas buscando nelas não só o que todos viam, mas principalmente aquilo que estava oculto aos olhos naturais. Queria ver dentro da alma, as cicatrizes que faziam delas ser quem eram. Eu tinha a tola mania de enxergar não a realidade, mas os potenciais.

Eu costuma acreditar que contos de fadas existiam na vida real e que era só questão de tempo para se ter um final feliz. Achava que para cada princesa havia um príncipe, mesmo que antes ele houvesse sido  sapo, mas o caminho inverso dessa metamorfose, na minha ingenuidade, não podia imaginar.

Eu costumava me doar por completo na expectativa de que seria cuidada, como um mimo recebido de quem tanto bem ao outro quer. Me espremia por inteiro, escondendo a dor na alma, esboçando no rosto um riso, com o intuito de fazer feliz aqueles que tantas vezes só lagrimas me causavam, indiferentes ao esforço que a eles eu dedicava.

Finalmente entendi que "meu mundo perfeito" era imaginário, que não importa o que as pessoas carregam na alma, até que elas o queiram expor, e que as expectativas, na maioria das vezes, salvas algumas poucas exceções, não podem basear-se nos potenciais, mas em análises de riscos, muito bem realizadas.

Depois de tantos passos dados, também compreendi que contos de fadas são ótimos, mas só na infância e que um final feliz não é aquele em que encontramos um príncipe encantado para nos tornar princesas, porque isso já somos. Felicidade é a satisfação do caminhar rumo à realização de um sonho. De que vale a felicidade só no fim? Ainda mais se ele não for como o esperado.

Percebi que o meu erro era olhar para as pessoas, buscando nelas aquilo que eu costumava ver ao me olhar no espelho. Agora entendo que, por mais que todos tenham em si o potencial de amar, perdoar, respeitar, cuidar, ajudar e vencer, infelizmente, também existe o de odiar, guardar rancor, não respeitar, desprezar, se negar e fracassar. E não sou eu quem pelos outros irá escolher.

Eu faço a minha parte
Cultivo a minha arte
Danço no meu ritmo.

Vivo os meus sonhos
Só dos meus monstros sou dono
Mesmo na dor, com fé persisto.

O que os outros fazem é problema deles, quem quiser minha opinião que a peça, e depois decida se irá ouvi-la ou não.

Mas, se mesmo com o choque de realidade, a tola garota conseguiu dentro de mim sobreviver, no seu peito resta esperança de que todos possam, como ela, aproveitar a chance que tem de viver.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MINHA CABEÇA, MEU MUNDO


Há um mundo diferente do que habito. Nele qualquer coisa pode acontecer. Não existem limites espaciais e nem temporais. Posso viajar, conhecer, experimentar... e depois repetir tudo, se quiser. E eu sou a única pessoa no mundo que pode acessá-lo.
Eu o chamaria de "mais um universo paralelo", não fosse o fato de que, vez ou outra, alguns de seus elementos, em forma de sonhos, interceptam a minha realidade.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A MOÇA NA JANELA



Há anos a moça contempla o horizonte que almeja alcançar, debruçada na janela. Ela cresceu e a janela agora está pequena demais para ela e seus sonhos. "Qual o próximo passo?" Pergunta-se, preocupada.
- Levante a cabeça, moça! Já é hora de voar, a menos que a cadeira do comodismo e hipóteses jamais testadas te sejam suficientes.

A VIDA NA CIDADE GRANDE



A vida na cidade grande.
Há vida na cidade grande?
O ser humano? Bem, esse também é vida, enquanto for humano, mas à medida que o individualismo vai crescendo dentro de si, ele sofre uma mutação. Esquecendo-se do que é "vida", torna-se um robô, movido pelo consumismo, em busca do que possa satisfazê-lo. Tolo! Perde a vida tentando conquistá-la.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

SONHAR, SÓ DORMINDO?

Ela está tão cansada dos arranhões causados pelos tombos que a vida lhe deu que caminha com cautela. Pois, embora não queira admitir, a verdade é que tem medo de novos machucados, quando mal conseguiu se curar dos antigos. Ah, só ela e Deus sabem do quanto tem saudade de correr por aí, como nos tempos de menina, quando não temia os arranhões por acreditar nas pessoas, de maneira ingênua (a tola mania de crer em potenciais e ignorar que muitas vezes eles não passam disso). No entanto, ficou temerosa quando a dor das lesões nos joelhos e cotovelos sumiram e deram lugar às feridas no coração e "dodóis" na alma. Frequentemente pergunta-se se ainda vale a pena sonhar de forma intensa, como adorava fazer, ou se já está na hora de admitir que não há espaço para utopias em seu processo de amadurecimento. Deveria ela viver de forma mais realista e deixar para trás os anseios de menina? Mas até que ponto esse processo de "autoproteção" não é nocivo? Dizer adeus às meninices que consigo carrega há anos, como se não houvesse percebido que tempo passou, não seria amargurar-se de forma plena? Afinal, construir um escudo para o coração não o livraria apenas das dores, mas também de perceber todas as coisas boas que a vida dá. Enquanto pensa nas bobagens de garotas, ela começa a sonhar novamente e imaginar como seria bom acordar um dia e perceber que as coisas enfim deram certo! e que pelo menos uma dessas besteiras de fato aconteceu. Mas aí a moça se vê outra vez acordada e brava consigo mesma porque mais uma vez permitiu-se sonhar.