quinta-feira, 14 de setembro de 2017

SONHAR, SÓ DORMINDO?

Ela está tão cansada dos arranhões causados pelos tombos que a vida lhe deu que caminha com cautela. Pois, embora não queira admitir, a verdade é que tem medo de novos machucados, quando mal conseguiu se curar dos antigos. Ah, só ela e Deus sabem do quanto tem saudade de correr por aí, como nos tempos de menina, quando não temia os arranhões por acreditar nas pessoas, de maneira ingênua (a tola mania de crer em potenciais e ignorar que muitas vezes eles não passam disso). No entanto, ficou temerosa quando a dor das lesões nos joelhos e cotovelos sumiram e deram lugar às feridas no coração e "dodóis" na alma. Frequentemente pergunta-se se ainda vale a pena sonhar de forma intensa, como adorava fazer, ou se já está na hora de admitir que não há espaço para utopias em seu processo de amadurecimento. Deveria ela viver de forma mais realista e deixar para trás os anseios de menina? Mas até que ponto esse processo de "autoproteção" não é nocivo? Dizer adeus às meninices que consigo carrega há anos, como se não houvesse percebido que tempo passou, não seria amargurar-se de forma plena? Afinal, construir um escudo para o coração não o livraria apenas das dores, mas também de perceber todas as coisas boas que a vida dá. Enquanto pensa nas bobagens de garotas, ela começa a sonhar novamente e imaginar como seria bom acordar um dia e perceber que as coisas enfim deram certo! e que pelo menos uma dessas besteiras de fato aconteceu. Mas aí a moça se vê outra vez acordada e brava consigo mesma porque mais uma vez permitiu-se sonhar. 

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