A vida é repleta de perguntas
Para muitas delas parecem não existirem respostas
Eis aqui uma:
Por que é que a saudade dói?
Dizem que viajar no tempo implica em alterar o futuro.
Eu digo: nem sempre!
Como explicar tal afirmativa?
Sei lá!
Tudo o que sei é que às vezes me surpreendo numa dessas viagens
Sabe?
Dessas que não possuem limites espacial ou temporal
Podemos ir aonde quisermos.
Podemos inclusive misturar realidade e fantasia
Trazer à realidade a utopia
A ponto de sua definição perder o sentido.
Por que a saudade dói?
Com relação a viajar no tempo implicar em alterar o futuro
Mais uma vez afirmo que nem sempre!
Depende muito da forma com que iremos lidar com tal viagem.
Com o que iremos fazer depois de reencontrar amores
Reviver momentos, cores, sabores, odores
Talvez encantamentos.
Ser novamente inundados por sentimentos
Enfrentar temores
Refazer horrores (ou não)
E consolidar frustrações.
O que faremos?
Por que é que a saudade dói?
Quando é que viajar no tempo não implicaria em alterações no futuro?
Acaso não seria assim?
Quando revivêssemos o passado como meros expectadores
E deixássemos de lado o papel de atores e também co-autores
Quando essas viagens não produzissem reflexões
Quando toda história, não relembrada, mas revivida ficasse presa no âmago da negação
Naquela caixinha onde depositamos aquilo que não esquecemos, mas queremos deixar para [trás
Quando não temos coragem de agir a partir dos incentivos gerados por ela
Quando não tomamos decisões que há muito tem sido adiadas
E não enfrentamos os medos do passado que ainda nos atemorizam
Quando nos contentamos em não progredir.
Por que é que a saudade dói?
O que afinal seria melhor?
Alterar o futuro, ou não?
Pois nem sempre viajar no tempo implica em alterar o futuro.
Não é de nossa natureza o agir sobressair o observar?
Em filmes, quando no tempo viajamos,
Não só observamos,
Mas interferimos, não deixando por exemplo alguém se matar.
Só não mudamos o futuro quando o sangue quente das nossas veias se esfria.
Mas do contrário, se ainda em nosso corpo existe calor
Talvez (mas é só talvez) valha a pena bagunçar um pouquinho as coisas
E com base no passado, construir o futuro que queríamos e havíamos deixado “pra lá”.
Mas afinal, por que é que a saudade dói?
Talvez seja porque ao viajar no tempo corremos o risco de nos perder
E sem querer voltar invertemos o passado e o presente.
Uma hora os dois reassumem seus lugares e percebemos que o passado é só passado.
Aprendemos que no tempo viajamos sem bagagens
Não se leva nada na ida
Não se trás nada na volta
Nada que não tenha ido.
E quando nos prendemos a algo, o desprender é doloroso
É triste das coisas boas termos de nos despedir de novo.
Eu acho que é por isso que a saudade dói.
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