quarta-feira, 27 de maio de 2015

QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU?

“Só se tem saudade do que é bom. Se chorei de saudade não foi por fraqueza. Foi porque eu amei” (Nelsinho Corrêa).

Quem vive de passado é museu!
Dizia o velho ranzinza
Sem ânimo pra viver a vida
Cansado de nunca tentar.
Sua história?
Quem é que conhece?
E dia a dia padece
Com medo de querer amar.
Mas quem é que de amar tem medo?
Quem de ser feliz tem receios!
E não tem coragem de arriscar,
Pois na vida um dia amou
E seu coração alguém desprezou
Ele nunca mais quis sonhar.
Viver sem amar não é viver
É simplesmente sobreviver
Aos impulsos que a natureza dá.
Será que ele não tem saudades?
Ou será que na realidade
Ele não quer é reconhecer
Que quase sempre o seu peito dói
Que aos poucos a si mesmo destrói
E já não sabe o que fazer.
Como livrar-se da mágoa antiga?
Que um dia roubou sua vida
Sem ao menos lhe indagar
Se aquela era a sua vontade
Ou queria seguir sem maldade
Ciente de que a recompensa de amar é amar.

Quem vive de passado é museu!
Dizia o velho ranzinza
Com saudades do amor que um dia
Jamais lhe correspondeu.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pré-requisitos

Não se pode doar aquilo que não se tem. Não se pode amar sem que se tenha amor. Não é possível ter amor sem que se deixe ser amado, e o maior amor já provado partiu de Jesus.
Quando não se tem Jesus, o amor pleno não passa de utopia.

Por que é que a saudade dói?

A vida é repleta de perguntas

Para muitas delas parecem não existirem respostas
Eis aqui uma:
Por que é que a saudade dói?

Dizem que viajar no tempo implica em alterar o futuro.
Eu digo: nem sempre!
Como explicar tal afirmativa?
Sei lá!
Tudo o que sei é que às vezes me surpreendo numa dessas viagens
Sabe?
Dessas que não possuem limites espacial ou temporal
Podemos ir aonde quisermos.
Podemos inclusive misturar realidade e fantasia
Trazer à realidade a utopia
A ponto de sua definição perder o sentido.

Por que a saudade dói?

Com relação a viajar no tempo implicar em alterar o futuro
Mais uma vez afirmo que nem sempre!
Depende muito da forma com que iremos lidar com tal viagem.
Com o que iremos fazer depois de reencontrar amores
Reviver momentos, cores, sabores, odores
Talvez encantamentos.
Ser novamente inundados por sentimentos
Enfrentar temores
Refazer horrores (ou não)
E consolidar frustrações.
O que faremos?

Por que é que a saudade dói?

Quando é que viajar no tempo não implicaria em alterações no futuro?
Acaso não seria assim?
Quando revivêssemos o passado como meros expectadores
E deixássemos de lado o papel de atores e também co-autores
Quando essas viagens não produzissem reflexões
Quando toda história, não relembrada, mas revivida ficasse presa no âmago da negação
Naquela caixinha onde depositamos aquilo que não esquecemos, mas queremos deixar para [trás
Quando não temos coragem de agir a partir dos incentivos gerados por ela
Quando não tomamos decisões que há muito tem sido adiadas
E não enfrentamos os medos do passado que ainda nos atemorizam
Quando nos contentamos em não progredir.

Por que é que a saudade dói?

O que afinal seria melhor?
Alterar o futuro, ou não?
Pois nem sempre viajar no tempo implica em alterar o futuro.
Não é de nossa natureza o agir sobressair o observar?
Em filmes, quando no tempo viajamos,
Não só observamos,
Mas interferimos, não deixando por exemplo alguém se matar.
Só não mudamos o futuro quando o sangue quente das nossas veias se esfria.
Mas do contrário, se ainda em nosso corpo existe calor
Talvez (mas é só talvez) valha a pena bagunçar um pouquinho as coisas
E com base no passado, construir o futuro que queríamos e havíamos deixado “pra lá”.

Mas afinal, por que é que a saudade dói?

Talvez seja porque ao viajar no tempo corremos o risco de nos perder
E sem querer voltar invertemos o passado e o presente.
Uma hora os dois reassumem seus lugares e percebemos que o passado é só passado.
Aprendemos que no tempo viajamos sem bagagens
Não se leva nada na ida
Não se trás nada na volta
Nada que não tenha ido.
E quando nos prendemos a algo, o desprender é doloroso
É triste das coisas boas termos de nos despedir de novo.
Eu acho que é por isso que a saudade dói.

DIAS MAIS FRESCOS

Para as bandas de Nova Londrina, um distrito no interior do estado de Rondônia, o sol que brilha imponente no céu, ora azul cristalino, ora num tom perolado, assegura altas temperaturas. Um calor que muitas vezes assusta os forasteiros.
Mas quando em Nova Londrina os ares correm mais frescos, algumas pessoas, daquelas que não tem medo de ousar sobrevoar territórios desconhecidos, acordam mais sonhadoras. Enquanto seus corpos estão limitados, presos a um espaço físico, suas mentes vagam, visitando lugares longínquos, ou não. Vivenciando experiências utópicas e encontrando os tesouros, anseios de sua alma.
Assim como a leitura proporciona diversas viagens, também a imaginação de tais pessoas, sem ao menos precisar seguir um script, pois elas vão surgindo de forma instantânea, tanto quanto o pensamento. O problema é que diferente do primeiro, em que é possível reviver os passeios de que mais se gosta, com o segundo meio de “transporte” não é assim, pois não é que o cérebro possua um “HD fraco”, mas um movido à emoções. Dessa forma, uma história pode ser sobre-escrita à medida que outra for sendo criada.
É… no entanto, essas viagens não são reais, convencionalmente falando, e esses dias também se acabam como quaisquer outros e novamente entra em cena os dias quentes que, embora gostosos, são abafados pela rotina.
Só resta então o gostinho dos sonhos e o desejo de um dia realizá-los, guardados no oculto da alma, escondidos pela pressão cotidiana. Vez ou outra eles escapam rapidamente através de um sorriso discreto, solto no cantinho dos lábios para ninguém… para o nada.