A Bíblia é um livro
maravilhoso, historicamente e antropologicamente falando, e para nós, cristãos,
ela tem um significado muito especial, pois por meio dela nós conseguimos obter
valiosas informações a respeito do nosso Deus, porque ao mergulhar em suas
páginas podemos encontrar lindas poesias dedicadas a Ele, além de ver o seu
agir em prol daqueles que Nele confiaram, através da História. Ela contém, também,
o segredo de como nos aproximarmos Dele.
Quando percorremos esse
espetacular livro que é a Palavra do Eterno, podemos vê-Lo fazendo coisas
maravilhosas, poderosas e até mesmo inimagináveis e, assim, capturar nuances de
sua personalidade, como peças de um quebra-cabeças. Há momentos em que Ele está
bravo, em outros, amoroso. Podemos encontra-Lo agindo logicamente, humanamente
falando, e até mesmo numa lógica que não conseguimos compreender. Às vezes Ele
faz o que parece óbvio para aquele que está lendo, mas também há casos em que
Ele surpreende e derrama misericórdia só porque Ele achou por bem assim fazer.
Desde que eu nasci,
literalmente, tenho ouvido falar sobre o Senhor (possivelmente até mesmo antes de
ser dada à luz) e ao longo do tempo, pelo menos duas abordagens radicais sobre
a sua personalidade têm se destacado. A primeira diz que Ele é justo e
castigador, a outra fala que Ele é amor e perdoador. Os adeptos do primeiro
extremo dizem que os do outro são rasos e apregoam um Deus superficial, estes,
por outro lado, dizem que os primeiros são fanáticos e falam de um ditador
carrasco. Ambos os grupos se esquecem que tanto amor, quanto justiça, são
atributos divinos.
Os dois grupos supracitados
conseguem encontrar subsídios nas Escrituras para embasar as suas falas
extremistas, isto porque recorrem aos seus trechos de forma isolada e não a
toda ela, de maneira integral, pois, não fosse assim, entenderiam que não se
trata de “oito ou oitenta”, há um grande intervalo que admite maior
flexibilidade na hora de elaborar sermões. Dizer que Deus é só amor requer que
sejam ignorados episódios em que a sua justiça foi praticada e afirmar que Ele
é, simplesmente, castigador implica em negligenciar histórias de misericórdia,
quando o seu perdão foi ofertado a pessoas que não o mereciam. O cenário do
Calvário evidencia os dois aspectos divinos em questão, afinal, ali estava
sendo imputada a sanção por nossos pecados, ao mesmo tempo em que o amor era
manifestado, mediante a oportunidade de reconciliação que foi oferecida.
Eu confesso que fico
irritada quando algumas pessoas insistem
em mostrar aos seus ouvintes apenas um dos aspectos já mencionados, criando
neles uma atmosfera de medo e, muitas vezes horror, ao faze-los acreditar que
se não disserem “sim” à graça, de imediato, serão caçados e destruídos. Do
mesmo modo, fico preocupada com mensagens evasivas, que passam uma ideia
equivocada de que porque somos amados e a salvação é de graça, nada precisamos
fazer em contrapartida. As duas situações são antibíblicas. Eu gosto mesmo é
dos sermões de Jesus, que trazia uma abordagem eficiente ao apresentar o
evangelho de forma genuína, puro e simples. Graças à sua mansidão e à sua
humildade, nem mesmo quando ficou irritado, deixou de ser excepcional. Ele não
recorria ao medo ou à superficialidade para conseguir adeptos, as suas falas
diziam respeito à necessidade intrínseca que temos de um relacionamento pessoal
e íntimo com o Criador.
Uma vez que compreendemos
que fomos criados para nos relacionarmos não apenas com o nosso próximo, mas
principalmente, e essencialmente, com o Todo Poderoso, torna-se mais fácil
entendermos a nossa busca constante por preenchimento e completude (os lindos
discursos de autossuficiência não se aplicam aos cristãos) para, assim,
recorrermos ao socorro ofertado por Jesus, o Cristo. E quando conhecemos, por
nós mesmos, o tão famoso Deus Javé, através de uma genuína comunhão, podemos
finalmente perceber que Ele não é carrasco e nem indiferente. Ele é Pai e sabe
educar seus filhos, impondo limites, mas munido de um imensurável e incompreensível
amor. Mas se alguém ainda não se dispôs a isso, não deveria tomar partido em
tolas discussões sobre Ele ser bom ou mau, pois uma das maiores virtudes que
uma pessoa pode ter é a de não se manifestar a respeito de algo, a menos que o
faça com propriedade.
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