terça-feira, 16 de janeiro de 2018

RESILIÊNCIA





Resiliência. Pensa na palavrinha que está em alta nas redes sociais! Já estou enfadada com a enorme quantidade de postagens a destacando (e veja só, cá estou eu, rss). Não, eu não tenho nada contra ela. O problema é a minha mania de quase sempre analisar as coisas. E isso me faz questionar: "Será que já buscaram o significado disso?"
Muitos estão associando a palavrinha da vez, unicamente à "superação" e "adaptação". É uma moça que conseguiu sorrir outra vez depois de inúmeras noites de choro pelo namorado que a abandonou. É o homem que voltou a andar depois que um bêbado o atropelou. É um atleta que retornou às suas atividades mesmo depois de lidar com determinada deficiência. E a lista só cresce.
Mas e daí, Weide? Está errado empregar "Resiliência" nesses contextos? Claro que não! Só que vejam bem. Esse termo, no sentido literal, devido a sua etimologia, inclui "elasticidade" ou a capacidade de "voltar ao normal". Tem tanta gente superando relacionamentos frustrados, mas se tornando frias e amargas por causa deles. Existem pessoas, que mesmo após adaptarem-se a determinadas situações, nutrem o desejo de vingança em um coração que antes só tinha olhos para o amor. E a quantidade de indivíduos que superaram obstáculos, mas passaram a ver a vida como um inimigo que se deve combater sem tréguas é gigantesca.
Resiliente foi José, que mesmo depois de enfrentar a traição, a calúnia, a cadeia imerecida e de ser esquecido por quem por ele havia sido ajudado, manteve-se com um coração íntegro, limpo e perdoador. A verdadeira resiliência, para mim, é a capacidade que uma pessoa tem de dar um "reset" no coração quando percebe que o sistema foi comprometido.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

ANTIGOS COSTUMES

Eu costumava sair por aí fantasiando com um mundo bonito, onde as pessoas sorriam e falavam "bom dia" para os estranhos. Era um lugar tão especial que ninguém negava um copo de água a um viajante que caminhava debaixo de um sol escaldante, e um simples "obrigado" pronunciado, acompanhado de um riso sincero eram as melhores recompensas para uma existência com significado.

Eu costumava olhar para as pessoas buscando nelas não só o que todos viam, mas principalmente aquilo que estava oculto aos olhos naturais. Queria ver dentro da alma, as cicatrizes que faziam delas ser quem eram. Eu tinha a tola mania de enxergar não a realidade, mas os potenciais.

Eu costuma acreditar que contos de fadas existiam na vida real e que era só questão de tempo para se ter um final feliz. Achava que para cada princesa havia um príncipe, mesmo que antes ele houvesse sido  sapo, mas o caminho inverso dessa metamorfose, na minha ingenuidade, não podia imaginar.

Eu costumava me doar por completo na expectativa de que seria cuidada, como um mimo recebido de quem tanto bem ao outro quer. Me espremia por inteiro, escondendo a dor na alma, esboçando no rosto um riso, com o intuito de fazer feliz aqueles que tantas vezes só lagrimas me causavam, indiferentes ao esforço que a eles eu dedicava.

Finalmente entendi que "meu mundo perfeito" era imaginário, que não importa o que as pessoas carregam na alma, até que elas o queiram expor, e que as expectativas, na maioria das vezes, salvas algumas poucas exceções, não podem basear-se nos potenciais, mas em análises de riscos, muito bem realizadas.

Depois de tantos passos dados, também compreendi que contos de fadas são ótimos, mas só na infância e que um final feliz não é aquele em que encontramos um príncipe encantado para nos tornar princesas, porque isso já somos. Felicidade é a satisfação do caminhar rumo à realização de um sonho. De que vale a felicidade só no fim? Ainda mais se ele não for como o esperado.

Percebi que o meu erro era olhar para as pessoas, buscando nelas aquilo que eu costumava ver ao me olhar no espelho. Agora entendo que, por mais que todos tenham em si o potencial de amar, perdoar, respeitar, cuidar, ajudar e vencer, infelizmente, também existe o de odiar, guardar rancor, não respeitar, desprezar, se negar e fracassar. E não sou eu quem pelos outros irá escolher.

Eu faço a minha parte
Cultivo a minha arte
Danço no meu ritmo.

Vivo os meus sonhos
Só dos meus monstros sou dono
Mesmo na dor, com fé persisto.

O que os outros fazem é problema deles, quem quiser minha opinião que a peça, e depois decida se irá ouvi-la ou não.

Mas, se mesmo com o choque de realidade, a tola garota conseguiu dentro de mim sobreviver, no seu peito resta esperança de que todos possam, como ela, aproveitar a chance que tem de viver.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MINHA CABEÇA, MEU MUNDO


Há um mundo diferente do que habito. Nele qualquer coisa pode acontecer. Não existem limites espaciais e nem temporais. Posso viajar, conhecer, experimentar... e depois repetir tudo, se quiser. E eu sou a única pessoa no mundo que pode acessá-lo.
Eu o chamaria de "mais um universo paralelo", não fosse o fato de que, vez ou outra, alguns de seus elementos, em forma de sonhos, interceptam a minha realidade.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A MOÇA NA JANELA



Há anos a moça contempla o horizonte que almeja alcançar, debruçada na janela. Ela cresceu e a janela agora está pequena demais para ela e seus sonhos. "Qual o próximo passo?" Pergunta-se, preocupada.
- Levante a cabeça, moça! Já é hora de voar, a menos que a cadeira do comodismo e hipóteses jamais testadas te sejam suficientes.

A VIDA NA CIDADE GRANDE



A vida na cidade grande.
Há vida na cidade grande?
O ser humano? Bem, esse também é vida, enquanto for humano, mas à medida que o individualismo vai crescendo dentro de si, ele sofre uma mutação. Esquecendo-se do que é "vida", torna-se um robô, movido pelo consumismo, em busca do que possa satisfazê-lo. Tolo! Perde a vida tentando conquistá-la.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

SONHAR, SÓ DORMINDO?

Ela está tão cansada dos arranhões causados pelos tombos que a vida lhe deu que caminha com cautela. Pois, embora não queira admitir, a verdade é que tem medo de novos machucados, quando mal conseguiu se curar dos antigos. Ah, só ela e Deus sabem do quanto tem saudade de correr por aí, como nos tempos de menina, quando não temia os arranhões por acreditar nas pessoas, de maneira ingênua (a tola mania de crer em potenciais e ignorar que muitas vezes eles não passam disso). No entanto, ficou temerosa quando a dor das lesões nos joelhos e cotovelos sumiram e deram lugar às feridas no coração e "dodóis" na alma. Frequentemente pergunta-se se ainda vale a pena sonhar de forma intensa, como adorava fazer, ou se já está na hora de admitir que não há espaço para utopias em seu processo de amadurecimento. Deveria ela viver de forma mais realista e deixar para trás os anseios de menina? Mas até que ponto esse processo de "autoproteção" não é nocivo? Dizer adeus às meninices que consigo carrega há anos, como se não houvesse percebido que tempo passou, não seria amargurar-se de forma plena? Afinal, construir um escudo para o coração não o livraria apenas das dores, mas também de perceber todas as coisas boas que a vida dá. Enquanto pensa nas bobagens de garotas, ela começa a sonhar novamente e imaginar como seria bom acordar um dia e perceber que as coisas enfim deram certo! e que pelo menos uma dessas besteiras de fato aconteceu. Mas aí a moça se vê outra vez acordada e brava consigo mesma porque mais uma vez permitiu-se sonhar. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

EM BUSCA DE NOVOS PASSOS - RELEMBRANDO

Relembrando a primeira poesia que tornei pública, em 2009, através de um concurso do Instituto Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná.
"Em busca de novos passos" - Segue o link da publicação:

Em busca de novos passos - Weide Cassimiro Jerônimo

terça-feira, 15 de agosto de 2017

INQUIETAÇÕES

Entre a correria cotidiana,
Nos intervalos das muitas pressões,
A verdade é que a mente da gente,
Essa que nunca se esvazia,
Insiste em voltar para os mesmos pensamentos,
As mesmas inquietações.

domingo, 30 de julho de 2017

FORÇA X FRAQUEZA

FORÇA X FRAQUEZA

Depois de algumas experiências das quais hora era investigadora, hora o objeto de pesquisa (ainda assim sempre observadora), passei a acreditar que força e fraqueza, embora sejam grandezas opostas, não estão em extremidades distintas, pelo contrário, caminham lado a lado.
Ninguém pode dizer-se fraco sem ter conhecimento do que é ser forte, e nenhum forte torna-se assim sem antes ser submetido à fraqueza.
A verdade é que fraqueza e força são apenas duas das muitas faces das quais nossa alma se apossa.
Tem dias que a fragilidade é a "escolha da vez", e tem outros em que a fortaleza é a opção escolhida.
Complicada, essa tal de alma? Sim. E como... pensa em como ama bagunçar as coisas. Troca suas faces tanto quanto o ser humano troca de roupa. E foi através dessas confusões que entendi que força e fraqueza caminham juntas. Quem é que nunca foi atingido em plena fortaleza? Ou ainda, quem nunca da fraqueza retirou força?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A MOÇA E O LEITE DERRAMADO, E DAÍ?

Quando eu tinha seis anos e meio de idade me deparei com a história de uma moça que saiu para vender leite na cidade. Enquanto caminhava, equilibrando na cabeça a vasilha com o produto, ela sonhava e planejava a forma de investir o dinheiro que ganharia com a venda. Ela compraria ovos, os chocaria, os pintinhos se tornariam galinhas também... enfim, ela ficaria rica, seria uma fazendeira e se casaria. Ela estava tão feliz, até que tropeçou e derrubou todo o leite. Com ele foram-se os sonhos e planos, e chorar sobre o leite derramado não o traria de volta.

Jamais me esqueci dessa história, e até hoje ela tem muito significado para mim. Por diversas vezes vejo-me como a moça sonhadora e teimosa que insiste em sonhar mesmo quando a venda do "leite" parece impossível. Tenho tomado muito cuidado. Sigo caminhando atentamente para não jogar fora os materiais que Deus me deu para trabalhar. Porque uma vez que o leite se derrama, não há outra forma senão aceitar o prejuízo e recomeçar do zero.
Existem muitas pedras no caminho, e a visão pode facilmente ser negligenciada à luz da imaginação. É necessário que os passos sejam precisos, pois um em falso e "já era". Algumas dessas pedras estão bem visíveis, outras especialmente camufladas. Não me envergonho em reconhecer que preciso de ajuda, por isso tenho Jesus como meu guia e a sua Palavra tem ilumidado o estreito caminho.