quarta-feira, 15 de julho de 2020

COMPLEXIDADES DA VIDA ADULTA

Crescer parecia um sonho
Um ideal digno de busca
Mas enquanto crescia ela não entendia
A complexidade de ser adulta.
Eram tantos ruídos, tantas perguntas...
Assim, a moça ficou confusa.

As pessoas quando crescem e perdem a coragem
Novos passos deixam de dar
Nas suas bolhas elas se acomodam
Vivem suas vidas a procrastinar.
Era tanto tédio, tantas mesmices...
A moça começou a se desapontar.

"Gente grande é muito difícil"
Foi uma de suas primeiras constatações
Elas torcem palavras, fingem sorrisos
Para mascarar as suas emoções.
Eram tantas mentiras, histórias ocultas
Que a moça ficou cheia de desilusões.

Com saudades de seus dias de infância
E um anseio ilógico de voltar a ser criança
A moça triste começou a chorar.
Enquanto as lágrimas lavavam sua alma
Ela foi invadida por uma inacreditável calma
E então, de seus devaneios, um barulhinho a fez despertar
Era um lembrete: "Jantar em família"
No seu coração sentiu alegria
E um tímido riso em seus lábios surgiu
Ela se lembrou de todas as bençãos recebidas
Da graça divina sempre lhe concedida
Agradecida então se sentiu.

Já não lhe incomoda o terrível cansaço
Ela ignora o estresse que sempre a leva à loucura
Tem forças outra vez para mais alguns passos
Porque tem um Pai no céu que a ajuda.
Diante da certeza de ser tão amada
A moça agora se sente segura.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

COMPLICADOS

Humanos e sua mania de o que é bom estragar
Por que tanta necessidade de as coisas complicar?
Qual a vantagem de por tantas curvas andar
Se "a menor distância entre dois pontos é uma reta" é a verdade que não se pode contestar?
Por que andar em círculos quando se sabe o quão necessário é rompe-los e seguir por outra trajetória?
Por que embaraçar o enredo da própria história?
O lema deve ser "nunca se contentar com nada"
Já que acumular coisas parece fazer parte da jornada.
A despeito de quanto se tem, sempre há busca por mais um vintém
É comum amar o negligente e não enxergar quem lhe quer tão bem.
Existe sempre uma condição ou algo a encontrar
Como se a plena felicidade fosse um bem caríssimo, difícil de se comprar.
Diferente de grãos que podem ser armazenados em sacos e estocados
Ela só se vive no agora, de imediato.
Cada porção é instantânea, não dá para o depois guardar
Como um maná, se recolhe de manhã e tem um dia pra usar.
Porque não ser feliz agora?
Qual a razão para tanta confusão,
Se no fim as respostas para muitas perguntas não são subjetivas, só se escolhe entre "sim" e "não"?
Por que é tão difícil decidir algumas questões quando já se tem as respostas,
Se é tão simples como estar em um jogo de sorte já sabendo qual é a correta porta?
Por que abraçar o que faz mal e dar adeus às dádivas que despertam sinceros risos?
Qual é a honra em viver ao relento quando se pode ter um lar, um abrigo?
A vida não é complicada.
Complicados somos nós
Que recusamos aconchegantes abraços para "curtirmos" a tristeza a sós.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

MULHER

Levanta a cabeça
Sacode a poeira
Ajeita-te!
Retoca teu brilho
Resgata o sorriso
Arruma-te!
Solta o cabelo
Sujeita o espelho
Postura!
Porque tens beleza,
Tens ginga e leveza
E apesar da delicadeza
Também és fortaleza
És ousadia
Uma bela melodia
Como a rima da poesia
Trazes consigo magia.
Não te esqueças de ti
Não aceite migalhas
Porque és jóia rara
Mais preciosa que o Rubi.
De Deus és um milagre
Se ainda não sabes
E se ainda duvidas
Lembra-te que estás viva
E de todas feridas
Que fizeram em ti
E tu ainda resplandece
Tua alma floresce
Porque a resiliência faz parte de tua essência
E na tua inocência, fazes da dor experiência
Do choro alegria
E das lágrimas sabedoria.
Perfeição tu não tens
Pois humana você é
Mas buscas a humildade, aprender a bondade
E jamais perder a fé.

sábado, 11 de janeiro de 2020

MOMENTOS

Todos queremos uma vida feliz e, muitas vezes aguardamos por grandes acontecimentos que confirmem se essa é, ou não, a nossa condição. O problema é que nesta busca por coisas extraordinárias, nos esquecemos de que o "todo" nada mais é que a junção de fragmentos, também fragmentáveis. São os detalhes que tornam a vida interessante e eles são capturados no que chamamos de "momentos", dos quais, alguns passam despercebidos e outros são esquecidos. Mas há, também, aqueles que marcam a nossa existência e, assim, ficam guardados na nossa memória porque possuem um link com o nosso coração.

Texto publicado nas redes sociais no dia 10/01/2020.

SOBRE O NATAL, OS PRESENTES E AS CRIANÇAS

Se o Papai Noel traz presentes apenas para as crianças "boazinhas", porque várias delas são esquecidas e algumas muito travessas são contempladas?
Primeiro que "fazer arte" já é um comportamento esperado das crianças. Não seria maldade tentar ingessa-las por um ano inteiro?
Segundo: qual é a definição de boazinha e malvada? Se adultos erram, o que nos faz pensar que os pequenos não farão o mesmo?
Terceiro: até que ponto essa metodologia da recompensa funciona? Se uma criança que se "comportou" o ano inteiro não recebe o presente que esperava, isso não fará com que ela registre no seu subconsciente que não vale a pena ser "boa"? E se, por acaso, ela ganha um presente, mesmo sem ter "merecido", isso não trará a ela a  sensação de imunidade e até mesmo de impunidade?
Quarto: presente ou salário? Salários são resultados esperados, recebidos por merecimento. Presentes, no entanto, não tem a ver com recompensar o outro por algo que é sua obrigação fazer, diz respeito a querer vê-lo feliz, independentemente dos seus erros, dificuldades e fracassos.
Talvez nossas crianças devessem saber que não precisam ser perfeitas, pois até nós, adultos, ainda tentamos melhorar. Que os presentes que recebem custam tempo e esforços dos seus pais e por isso gratidão e valorização são bem-vindos, em contrapartida. Que a única motivação válida para presentear é o amor e que, por isso, as dádivas nem sempre são palpáveis, às vezes se resumem em um caloroso abraço ou na certeza de que somos queridos.
E se os pequeninos soubessem que o maior presente de Natal foi dado por Deus e que nem o dinheiro do mundo inteiro poderia pagá-lo, porque a redenção custou o sacrifício de um inocente que fez tudo por amor?
"Besteira, Weide! Não vês que é mais fácil mentir?"

Texto publicado nas redes sociais no dia 27/12/2019.

HERÓIS

São muitas as histórias que lemos nos HQs ou acompanhamos no Universo Cinematográfico em que pessoas se dedicam para ajudar os outros e salvá-los de seus males. Alguns se contentam com o anonimato, mas outros necessitam ser identificados. Vê-los em ação nos diverte, nos anima e nos emociona, mas no fim sabemos que eles não são reais.
Os heróis da nossa realidade são um pouco diferentes dos da ficção, pois não possuem superpoderes, são mais limitados e o altruísmo muitas vezes é resultado de muito exercício e profunda reflexão. Eles salvam vidas e ajudam não de forma grandiosa, mas de maneira singela, através de pequenos gestos e atitudes.
Eu conheço, no entanto, um Super-Herói que mesmo eterno, poderoso e soberano se dispôs a experimentar das fragilidades humanas, inclusive a morte, só para nos conhecer e curar não só as dores físicas, mas, especialmente as que oprimem a nossa alma (ou psiquê). Ele morreu, mas ressuscitou e está ao nosso lado em todos os momentos, disposto a nos salvar até de nós mesmos, quando não nos lembramos mais quem somos. Hoje, seu aniversário é comemorado e, embora Ele, provavelmente, não tenha nascido no dia 25 de dezembro, toda ocasião é bem-vinda para celebra-Lo. Lembrar Dele somente no Natal é um erro, tanto quanto esquecê-Lo, nesta data.
É Natal e temos motivos de sobra para agradecer a Deus pelo melhor presente que Dele recebemos: Jesus, o nosso grande Herói.

Esse texto foi publicado nas redes sociais no dia 25/12/1/2019.

domingo, 14 de julho de 2019

INFELICIDADE: AUSÊNCIA DE FELICIDADE OU INCAPACIDADE DE PERCEBÊ-LA?

Dizem que as crianças é que são felizes e, em condições normais, isso é bem verdade. Talvez seja porque as condições em que vivemos a fase adulta nos deixe cegos diante de algumas coisas e, por isso, como se não bastasse nos colocarmos em uma situação de infelicidade, ainda condicionamos os nossos pequeninos a viverem também assim.
Recordo-me de que nos primeiros anos da minha vida conseguia me alegrar com coisas simples, como um carrinho de picolé, um cachorro quente depois de vir da igreja, balões que decoraram algum aniversário, um elogio dos pais, a comida da vovó, criar voz de robô com um ventilador, tomar banho de mangueira, subir numa árvore e sair correndo feito louca para não ser a "barata" do pega-pega.
Foram tantas experiências maravilhosas que as poucas horas de choro por causa do castigo ou das varadas e, até mesmo as lágrimas que evidenciavam as dores que mesmo sem entender eu sentia na alma, ficaram em segundo plano. Mas essas coisas, agora, parecem ter se tornado bobas e por isso focamos a nossa atenção nos problemas que precisamos a qualquer custo resolver.
Quando vejo crianças que nunca souberam o prazer que é brincar de carrinho, boneca, pião ou esconde-esconde porque estão precocemente ocupadas demais com seus celulares, tablets e videogames, seguindo os passos de "seus adultos" não consigo evitar perguntas do tipo: que histórias elas terão para contar? como vão definir o seu próprio parâmetro para mensurar a felicidade?
Nossos jovens não sabem ouvir "não" porque nós não sabemos dizer a eles essa palavra. Fracassamos quando o assunto é impor limites porque passamos a vê-los apenas como restrições, como cercas que os impedem de encontrar a liberdade, quando há casos em que eles também são proteção para os perigos dos quais eles ainda não conseguem se proteger.
A nossa felicidade independe da fase em que estamos atravessando. Ela está relacionada a como nos permitimos ver a beleza nas coisas simples e sentir as pequenas alegrias, pois negligenciar isso implica em dar ênfase as tristezas e dores da vida. Talvez o problema não seja a ausência da felicidade, mas a nossa incapacidade de percebê-la, e consequentemente a nossa mania de negá-la às nossas crianças.

sábado, 15 de junho de 2019

MAIS UMA HOMENAGEM (11/05/2019)

Mamães... como homenageá-las?
Que palavras ainda não foram ditas?
O que não seria clichê?
A verdade é que vocês, mesmo sendo muitas, são únicas.
Cada uma tem seu jeitinho, seu charme,
Forma de demonstrar amor e de ver o mundo.
Quando temos frio vocês são capazes de se despir para nos manter aquecidos
Quando ainda temos fome, nos dão do seu próprio pedaço de pão.
Com seus beijos podem amenizar a dor não só dos arranhões, mas também das feridas da alma.
Seus abraços trazem conforto quando tudo parece desmoronar
E as suas lágrimas são como lubrificante para que continuem a sua árdua jornada.
Donas de casa, profissionais, companheiras, amigas, vasos de Deus!
Inúmeras funções para uma mesma pessoa.
Vocês são a prova de que milagres existem,
Pois são fora do natural.
Muitas poesias já foram escritas
Talvez, todas as palavras já tenham sido ditas, e
Inúmeras homenagens feitas,
Mas a verdade é que, dada a sua excepcional importância para as nossas vidas,
Nunca será demais lhes dizer o quanto nós as amamos.
Todos os dias são seus,
Mas infelizmente (e perdoe a nossa negligência) nem sempre vocês recebem de nós todo afeto, carinho e gratidão que merecem,
Então hoje, de maneira especial, queremos dizer:
FELIZ DIA DAS MÃES!

sábado, 13 de abril de 2019

FRAGMENTOS

Um dia veremos que cada experiência, circunstância e história aqui vivenciadas são apenas fragmentos de uma eternidade que haveremos de experimentar em sua totalidade. Então, enfim, entenderemos tudo de forma plena e perceberemos o quão tolos fomos superestimando coisas pequenas e fúteis como os estereótipos, os padrões que nos são impostos e a religiosidade, por exemplo, e menosprezando aquilo que é grande como o amor, os relacionamentos, os sorrisos, os abraços, as lágrimas e o tempo. Que nesse maravilhoso dia possamos sentir satisfação e gratidão por ter acordado de um sono profundo para uma realidade tão grande e majestosa quanto o infinito.

sábado, 19 de janeiro de 2019

TER MEDO

Um dia eu tive medo...
De crescer e perder as coisas boas da infância
De voar e não achar de volta o caminho pra casa
Tive medo de jamais poder voar.

Um dia eu tive medo...
De jamais poder crescer e experimentar as coisas de adultos
De um futuro sem aqueles que eu amo
Tive medo de que o medo me impedisse de viver o presente.

Um dia eu tive medo...
De estagnar e não conhecer o progresso
De mudar demais e perder a minha identidade
Tive medo de não conseguir mudar e me perder na minha incapacidade.

Eu ainda tenho muitos medos
E entre todos eles existe o de não mais medo sentir
Compreendi que sem ele não há coragem, pois assim ela não passaria de bobagem
Coisas daquelas que se falam, mas que ninguém pode sentir.

É o medo que nos desafia
Que nos faz decidir entre o confronto e a submissão
E é a resposta à sua provocação que define quem somos
É o medo que expõe os corajosos, os covardes, os inconsequentes e os prudentes.