Se o Papai Noel traz presentes apenas para as crianças "boazinhas", porque várias delas são esquecidas e algumas muito travessas são contempladas?
Primeiro que "fazer arte" já é um comportamento esperado das crianças. Não seria maldade tentar ingessa-las por um ano inteiro?
Segundo: qual é a definição de boazinha e malvada? Se adultos erram, o que nos faz pensar que os pequenos não farão o mesmo?
Terceiro: até que ponto essa metodologia da recompensa funciona? Se uma criança que se "comportou" o ano inteiro não recebe o presente que esperava, isso não fará com que ela registre no seu subconsciente que não vale a pena ser "boa"? E se, por acaso, ela ganha um presente, mesmo sem ter "merecido", isso não trará a ela a sensação de imunidade e até mesmo de impunidade?
Quarto: presente ou salário? Salários são resultados esperados, recebidos por merecimento. Presentes, no entanto, não tem a ver com recompensar o outro por algo que é sua obrigação fazer, diz respeito a querer vê-lo feliz, independentemente dos seus erros, dificuldades e fracassos.
Talvez nossas crianças devessem saber que não precisam ser perfeitas, pois até nós, adultos, ainda tentamos melhorar. Que os presentes que recebem custam tempo e esforços dos seus pais e por isso gratidão e valorização são bem-vindos, em contrapartida. Que a única motivação válida para presentear é o amor e que, por isso, as dádivas nem sempre são palpáveis, às vezes se resumem em um caloroso abraço ou na certeza de que somos queridos.
E se os pequeninos soubessem que o maior presente de Natal foi dado por Deus e que nem o dinheiro do mundo inteiro poderia pagá-lo, porque a redenção custou o sacrifício de um inocente que fez tudo por amor?
"Besteira, Weide! Não vês que é mais fácil mentir?"
Texto publicado nas redes sociais no dia 27/12/2019.
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