terça-feira, 20 de abril de 2021

OSCILAÇÕES DA TEMPORALIDADE

“Enquanto seu espirito pode ser direcionado para um objeto eterno, seus corpos, suas paixões e suas imaginações estão em constante mudança, pois mudar significa estar inserido na temporalidade. Eles experimentam a constância apenas em meio à ondulação” (C. S. Lewis).

Em Cartas de um diabo a seu aprendiz, Lewis, através de Maldanado, fala da sujeição humana à temporalidade, pois, frequentemente nos desviamos das coisas que acreditamos atrapalhar o sucesso da nossa jornada, mas sempre corremos o risco de voltar a elas. Isso se aplica a relacionamentos, trabalho, desejos e paixões. Quem nunca se arrependeu de uma decisão ou já cogitou voltar a fazer o que um dia escolheu abandonar? Quantos se perguntam, nesse momento, se não devem dar outra chance a um relacionamento abusivo? Vivemos oscilando entre a sensatez e a imprudência, a sabedoria e a tolice, a fortaleza e a vulnerabilidade.

É por isso que, mesmo depois de libertos por Cristo, do julgo do pecado, ainda estamos sujeitos a reincidência de alguns erros. Afinal, segundo Lewis, a constância que experimentamos nesta vida consiste apenas em momentos concomitantes a um processo de subida ou de declínio. Como uma onda, cujo movimento sobe e desce periodicamente, nós oscilamos entre “períodos de riqueza e vivacidade emocional e física” e “períodos de entorpecimento e pobreza”. Isso não nos dá respaldo para a prática indiscriminada do pecado, mas para nunca desistirmos de tentar melhorar. A queda não precisa ser o último estágio de uma pessoa. Se ela ainda vive, pode erguer-se, outra vez.

Não devemos pecar, como João afirmou, mas se formos vencidos temporariamente pelo velho homem (como denominou Paulo), saudoso das velhas práticas, temos um Advogado disposto a nos justificar, através do Seu poderoso sangue. Pode ser que hoje aconselhamos alguém e amanhã precisaremos de ajuda. Ou, quem sabe, agora quase desmoronamos diante de um problema, mas no futuro compartilharemos o testemunho de como vencemos. Nos vales ou nas altitudes da nossa existência, temos de nos lembrar do quão dependentes somos da misericórdia e da graça de Deus.

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