“Enquanto seu espirito
pode ser direcionado para um objeto eterno, seus corpos, suas paixões e suas
imaginações estão em constante mudança, pois mudar significa estar inserido na
temporalidade. Eles experimentam a constância apenas em meio à ondulação” (C.
S. Lewis).
Em Cartas de um diabo a
seu aprendiz, Lewis, através de Maldanado, fala da sujeição humana à temporalidade,
pois, frequentemente nos desviamos das coisas que acreditamos atrapalhar o
sucesso da nossa jornada, mas sempre corremos o risco de voltar a elas. Isso se
aplica a relacionamentos, trabalho, desejos e paixões. Quem nunca se arrependeu
de uma decisão ou já cogitou voltar a fazer o que um dia escolheu abandonar?
Quantos se perguntam, nesse momento, se não devem dar outra chance a um
relacionamento abusivo? Vivemos oscilando entre a sensatez e a imprudência, a
sabedoria e a tolice, a fortaleza e a vulnerabilidade.
É por isso que, mesmo
depois de libertos por Cristo, do julgo do pecado, ainda estamos sujeitos a reincidência
de alguns erros. Afinal, segundo Lewis, a constância que experimentamos nesta
vida consiste apenas em momentos concomitantes a um processo de subida ou de declínio.
Como uma onda, cujo movimento sobe e desce periodicamente, nós oscilamos entre “períodos
de riqueza e vivacidade emocional e física” e “períodos de entorpecimento e
pobreza”. Isso não nos dá respaldo para a prática indiscriminada do pecado, mas
para nunca desistirmos de tentar melhorar. A queda não precisa ser o último
estágio de uma pessoa. Se ela ainda vive, pode erguer-se, outra vez.
Não devemos pecar, como João afirmou, mas se formos vencidos temporariamente pelo velho homem (como denominou Paulo), saudoso das velhas práticas, temos um Advogado disposto a nos justificar, através do Seu poderoso sangue. Pode ser que hoje aconselhamos alguém e amanhã precisaremos de ajuda. Ou, quem sabe, agora quase desmoronamos diante de um problema, mas no futuro compartilharemos o testemunho de como vencemos. Nos vales ou nas altitudes da nossa existência, temos de nos lembrar do quão dependentes somos da misericórdia e da graça de Deus.
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