quarta-feira, 28 de abril de 2021

SOBRE A PAZ

A paz é o principal anseio da humanidade e o mais curioso é que somos nós, através de escolhas equivocadas, enraizadas no egocentrismo e no individualismo, os agentes responsáveis por dificultar a sua manifestação, de forma coletiva e plena, reduzindo-a a um mero discurso, de modo que trazê-la, outra vez, à esfera da realidade, torna-se improvável, visto que isso depende dos esforços de todos.

Imagine um quebra-cabeça, cujas peças foram distribuídas a diferentes pessoas, das quais, poucas querem jogar e construir uma única, organizada e completa imagem. Pense nisso como uma alegoria ao processo de obtenção da paz mundial, conforme apregoada, muitas vezes, por aqueles que nem se importam, de fato, com a superficialidade de suas falas. Assim, o sonho se torna utopia.

A ciência disso pode conduzir qualquer pessoa a um estado para além da preocupação, no qual o desespero provoca as mais radicais reações, tendo em vista a escuridão que se instala na alma dos desprovidos de esperança. Foi num cenário assim que raiou, como um dia profetizou Isaías, a Luz sobre os viventes da terra tenebrosa, que caminhavam na escuridão.

Em outras palavras, a encarnação de um Deus, a sua disposição em tornar-se uma de uma de suas criaturas, bem como a Sua entrega vicária, como o Cordeiro sacrificial definitivo, trouxe inspiração para aqueles que precisavam enfrentar as suas batalhas existenciais e tornou-se exemplo de abnegação, empatia e amor, através de um discurso sem palavras que introduziu e tornou válido o conceito do perdão.

Além disso, a ressurreição de Jesus, evidenciou o seu poder sobre a morte e acendeu a esperança de que, através Dele, todos podem vencer e transcender a corrupção arraigada em seus corpos. Nele experimentamos uma paz diferente, que desafia a lógica humanamente construída, porque independe das circunstâncias e da disponibilidade de terceiros. Trata-se de algo íntimo, pessoal e revolucionário, plantado cuidadosamente no nosso espírito, por meio da comunhão com o Eterno, que contagia a alma e transborda para o exterior, influenciando todos os que se deixam cativar por ela.

terça-feira, 20 de abril de 2021

OSCILAÇÕES DA TEMPORALIDADE

“Enquanto seu espirito pode ser direcionado para um objeto eterno, seus corpos, suas paixões e suas imaginações estão em constante mudança, pois mudar significa estar inserido na temporalidade. Eles experimentam a constância apenas em meio à ondulação” (C. S. Lewis).

Em Cartas de um diabo a seu aprendiz, Lewis, através de Maldanado, fala da sujeição humana à temporalidade, pois, frequentemente nos desviamos das coisas que acreditamos atrapalhar o sucesso da nossa jornada, mas sempre corremos o risco de voltar a elas. Isso se aplica a relacionamentos, trabalho, desejos e paixões. Quem nunca se arrependeu de uma decisão ou já cogitou voltar a fazer o que um dia escolheu abandonar? Quantos se perguntam, nesse momento, se não devem dar outra chance a um relacionamento abusivo? Vivemos oscilando entre a sensatez e a imprudência, a sabedoria e a tolice, a fortaleza e a vulnerabilidade.

É por isso que, mesmo depois de libertos por Cristo, do julgo do pecado, ainda estamos sujeitos a reincidência de alguns erros. Afinal, segundo Lewis, a constância que experimentamos nesta vida consiste apenas em momentos concomitantes a um processo de subida ou de declínio. Como uma onda, cujo movimento sobe e desce periodicamente, nós oscilamos entre “períodos de riqueza e vivacidade emocional e física” e “períodos de entorpecimento e pobreza”. Isso não nos dá respaldo para a prática indiscriminada do pecado, mas para nunca desistirmos de tentar melhorar. A queda não precisa ser o último estágio de uma pessoa. Se ela ainda vive, pode erguer-se, outra vez.

Não devemos pecar, como João afirmou, mas se formos vencidos temporariamente pelo velho homem (como denominou Paulo), saudoso das velhas práticas, temos um Advogado disposto a nos justificar, através do Seu poderoso sangue. Pode ser que hoje aconselhamos alguém e amanhã precisaremos de ajuda. Ou, quem sabe, agora quase desmoronamos diante de um problema, mas no futuro compartilharemos o testemunho de como vencemos. Nos vales ou nas altitudes da nossa existência, temos de nos lembrar do quão dependentes somos da misericórdia e da graça de Deus.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Herois

 Algumas pessoas curtem muito ler e assistir sobre histórias de super-heróis (eu faço parte desse grupo). Talvez seja, em parte, para tirar folga (ainda que momentaneamente) da dura realidade, ou, quem sabe, para poder viver aventuras além das que o seu contexto de vida admite. Mas, acima de tudo, penso que seja porque se identificam com a coragem, a garra, ou até mesmo as fraquezas deles.

Não é por acaso que Jesus Cristo é considerado por muitos o maior exemplo de heroísmo, porque o fato de Ele ter se manifestado como humano, criou um vínculo inquebrável com aqueles a quem veio ajudar. Quando olhamos para Ele vemos não apenas um Deus, mas uma Pessoa maravilhosa que, por empatia e amor, decidiu lutar uma batalha que não era Dele, para defender os indefesos e resgatar os aprisionados. Ele, com Seu exemplo, ensina-nos que, dentro de nossas próprias limitações, todos podemos ser heróis do nosso ciclo familiar e social, mas, principalmente, da nossa própria história.

Todos os dias, bilhões de pessoas acordam num cenário de batalha, vivendo suas próprias guerras. Muitas são tentadas a desistir, jogar tudo para o alto e sucumbir, mas a grande maioria decide persistir, não porque se acham invencíveis, mas porque entendem que lutar é a única maneira de seguir em frente e que parar é retroceder, enquanto que sobreviver está a um passo de uma vida com significado.

Nós lutamos, enfrentamos gigantes e, pouco a pouco, vencemos, porque assim como os heróis da ficção têm seus poderes ocasionados e reforçados por alguma fonte específica, também temos uma força incrível, chamada fé. Quanto mais a alimentamos, mas fortes nos tornamos. Eu não sei você, mas a fonte da minha é Deus. Quanto mais próxima estou Dele, mas empoderada eu fico.