sexta-feira, 18 de novembro de 2016

NÃO ME CONFORMO COM O CONFORMISMO

É melhor tentar e falhar que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver (Martin Luther King).

“[Eu] Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho.” (C. S. Lewis).

Eis duas falas de homens que deixaram importantes legados para a sociedade, mas que poderiam ser de qualquer pessoa, por mais anônima que fosse, desde que compreendesse as grandes, e ao mesmo tempo simples, verdades da vida.
Hoje, um dia como qualquer outro, em que uma mulher, que por diversas vezes vê-se ainda como menina (dada a sua insistência em crer que ainda há bondade e magia no mundo), poderia acordar, levantar-se de sua cama pronta para viver, de forma bela e intensa. Maravilhoso! Não fosse um pequeno detalhe: há algum tempo, sonhar, que costumava ser a minha melhor habilidade, desde a infância, tornou-se um desafio ímpar, dadas algumas circunstâncias que a vida traz.
Para ser mais precisa, desde que precisei aprender que muitas das histórias que li, e por algumas vezes reli, bem como aquelas vistas em qualquer filme da “Sessão da tarde”, na verdade costumam ficar aprisionadas em livros e roteiros cinematográficos (a realidade é bem diferente!), tenho vivido uma experiência nova, em que a vida, que costumava antes ser tão bela, colorida e perfumada, a despeito da dura realidade, tornou-se sem graça, cinza e sem cheiro. Obviamente sei que isso é apenas uma fase, e como qualquer outra vai passar quando eu estiver pronta para isso. Sempre fui assim, do tipo de aprender cada lição que nos é proposta, com o intuito de que possa me tornar uma pessoa melhor. Infelizmente, saber que as coisas ficarão bem não anestesia a dor que sinto por ter de abrir mão de coisas importantes, no entanto, torna-a suportável.
Em momentos assim, em que dúvidas permeiam nossa mente, e as circunstâncias parecem conspirar para abalar nossa fé, temos pelo menos duas alternativas a considerar. A primeira delas é revoltar-se contra tudo e colocar-se na posição de “coitadinhos” esquecidos por Deus, amargurar-se perpetuamente e ser para sempre infeliz. Mas… que vantagem haveria nisso? Bem, nesses termos, meu intelecto pede que eu dê mais atenção à segunda opção, que nada mais é que aceitar o fato de que coisas acontecem o tempo todo, e que muitas delas estão fora de nosso controle. Precisamos ser adultos para lidar com as consequências de nossas próprias escolhas e usar qualquer situação como aprendizado, a fim de que possamos ampliar as nossas chances de cometer acertos, futuramente, caso tenhamos oportunidade para isso.
Nesse novo processo de aprendizagem (como costumo considerar cada experiência), sinto-me bastante instável, na verdade, em pleno mar, onde tem dias que as ondas oscilam calmamente, e outros em que parecem querer me afogar (porém, não vão). Tem dias que a saudade machuca mais, tem dias que consigo subjugá-la (é no que, pelo menos, tento acreditar). Às vezes consigo segurar as lágrimas, ou melhor, adiá-las. Mas o bom é perceber que quanto mais os dias passam, mas os momentos maravilhosos vão tornando-se lembranças, e a menos que haja determinada interferência, de alguém ou de Deus, em questão de tempo, será apenas isso, fragmentos de memória, guardados em gavetas escuras e profundas, pouco visitadas.
“Bem, Weide, suas crises devem estar te enlouquecendo”, talvez alguém possa argumentar, “até agora não vi nenhuma ligação das citações com esse seu monte de blablablá!”. De fato, parece sem nexo, e talvez seja, mas como essa é a minha reflexão, talvez eu me permita alguns devaneios (rss). Deixe-me tentar ser mais objetiva…
A primeira citação, remetida a Luther King, fala da decisão de correr atrás da realização de nossos sonhos, ir em busca de nossos objetivos… Desde a adolescência, um medo me assombra, o de em um dia estar sentada em uma cadeira, sonhando incessantemente, e em em outro perceber-me no mesmo lugar, anos depois, sem nenhum desses sonhos realizar. Meu temor chama-se “conformismo”. Tem coisas que precisamos aceitar, outras não. Pior que arrepender-se de ter tentado sem êxito conseguir, é arrepender-se de nunca ter empenhado esforço por algo que tanto queríamos. É por isso que decidi caminhar, ainda que me arrastando, em vez de ficar parada, chorando meus pesares. Se for pra chorar, que  seja andando, porque dessa forma, hora ou outra encontrarei motivos para sorrir novamente.
A segunda citação faz referência a C. S. Lewis (sim! o autor dos sete livros que compõem a Obra “As Crônicas de Nárnia” que amo de paixão) e diz respeito ao fato de que nós escolhemos o nosso destino. Claro que acredito que Deus tem uma bela história escrita para cada pessoa, e esta está relacionada à Sua vontade espontânea (como costumo falar). Porém, sei que existe também uma história alternativa, relacionada à vontade permissiva de Deus. Esta tem relação direta com as escolhas que fazemos. Se tem uma coisa que estou aprendendo, é que o ser humano sempre atrai para si essa última vontade, pois tem mania de realizar interferências, e é inteiramente inclinado a agir de acordo com suas próprias convicções (mesmo quando as mesmas são equivocadas). Assim, vamos escrevendo dia após dia a nossa história, através de erros e acertos.
Enfim, o que eu quero dizer com isso tudo? Não tenho certeza… Talvez possa ser que o que eu queira expressar é a minha resolução de não desistir da felicidade, mesmo estando triste; Quem sabe, que precisamos seguir adiante, mesmo após uma queda; ou possivelmente tudo isso ao mesmo tempo acrescido de que não importa o quão difícil seja o nosso problema, somos nós que aceitamos ser vencidos por eles, ou nos propomos a continuar lutando, até vencer. Em outras palavras, o conformismo é a prisão que nos separa da realização de um sonho.

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