sábado, 23 de outubro de 2021

SOBRE NÃO PARAR


Se a vida é uma viagem

Na qual navegamos com muito esforço

Por que baixamos âncora antes de chegarmos ao porto?


Se em meio a esse percurso

Ainda há muito chão para andar

Por que na beira da estrada decidimos estacionar?

 

Se como pássaros migrantes

Temos muito o que voar

Por que, então, num toco qualquer escolhemos pousar?

 

Alguns aceitam o seu destino,

Mas eu busco viver o meu propósito

Mesmo chorando, ou sorrindo,

Tento jamais perder o foco

Não é que eu seja boazinha

Ou tenha alcançado a “iluminação”

É que bem forte me ocorre a certeza

De que o tempo não brinca, não

Tudo o que sei é que nesse processo

De, vivendo, aprender a viver

Cada rasura é considerada

Na história que estou a escrever

Talvez, eu seja esperta

Por ter entendido que nesta questão

Não existe folha de rascunho

Tudo faz parte da construção da solução

Um dia serei plena

É nisso que eu acredito,

Mas, por enquanto, sou só uma sonhadora

E do meu belo sonho, não desisto.

CASTELO DE AREIA

Quem vive no litoral tem o enorme privilégio de passear na praia e sentir a energia do mar. As outras pessoas, ficam apenas sonhando com viagens maravilhosas e, possivelmente, imaginando-se construindo castelos de areia. Estranho é que, nessa atividade, é tanto empenho dedicado a um empreendimento que será levado, quem sabe, pela próxima onda, que chega a nem fazer sentido.

Sabe o que é curioso? quer dizer, preocupante? Pode ser que estejamos fazendo a mesma coisa com a nossa vida. Projetando expectativas em sonhos mal fundamentados e dedicando não apenas força, mas também nosso precioso tempo, construindo castelos de areia que sabemos que não irão subsistir.

Dada a importância do viver e a seriedade com a qual cada uma de nossas decisões precisa ser tratada, o correto seria elaborarmos projetos exequíveis, obtermos materiais de qualidade, construirmos bons alicerces e estruturas resistentes, antes de investirmos tudo o que temos em belas paredes. Porque uma coisa é lidarmos com riscos calculados, outra, bem diferente, é nos jogarmos com tudo numa empreitada fadada ao fracasso.