Em todas as áreas da vida
estamos sujeitos ao desânimo e, em diversos casos, ele vem em decorrência da
decepção que experimentamos quando a realidade confronta as ilusões que por nós
são criadas, chamadas de expectativas.
Nem sempre (na verdade,
quase nunca) a imagem que criamos no nosso estúdio imaginário estão alinhadas
com o mundo real. Isso significa que pode existir um imensurável abismo entre o
que nos propomos a acreditar, sobre determinada coisa, e aquilo que de fato ela
é.
Podemos idealizar o
emprego dos sonhos de tal modo que jamais o encontraremos. A ideia de amor romântico
que cultivamos em nossa mente pode jamais encontrar correspondência fora dela.
E esses são apenas alguns exemplos.
Essa dicotomia existente,
envolvendo expectativas e realidade, também pode se estender ao contexto
espiritual. Uma ideia equivocada do que se esperar do Cristianismo, por
exemplo, pode afastar dele qualquer pessoa, por mais bem-intencionada que ela
possa estar.
Muitos dos novos adeptos
da vida com Cristo esperam conforto e prosperidade constantes para a sua
caminhada, bem como perfeição na conduta dos cristãos. E quando se deparam com
as aflições e batalhas do processo de aperfeiçoamento e assemelhação com Jesus
e, dão-se conta da falibilidade humana, também impregnada nos santos, desistem
da fé e retornam ao estado que acreditam ser o inicial, mas que, na verdade, é
ainda pior.
É por isso que a
comunidade cristã (refiro-me não a denominações específicas, mas ao Corpo de
Cristo, no âmbito universal) precisa acolher e discipular bem os novos membros
da família, para que as frustrações decorrentes do choque da realidade não
sejam usadas pelo inimigo de nossas almas como artimanha de dissuasão, como
sugere a segunda carta do livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, de C. S.
Lewis.