domingo, 14 de julho de 2019

INFELICIDADE: AUSÊNCIA DE FELICIDADE OU INCAPACIDADE DE PERCEBÊ-LA?

Dizem que as crianças é que são felizes e, em condições normais, isso é bem verdade. Talvez seja porque as condições em que vivemos a fase adulta nos deixe cegos diante de algumas coisas e, por isso, como se não bastasse nos colocarmos em uma situação de infelicidade, ainda condicionamos os nossos pequeninos a viverem também assim.
Recordo-me de que nos primeiros anos da minha vida conseguia me alegrar com coisas simples, como um carrinho de picolé, um cachorro quente depois de vir da igreja, balões que decoraram algum aniversário, um elogio dos pais, a comida da vovó, criar voz de robô com um ventilador, tomar banho de mangueira, subir numa árvore e sair correndo feito louca para não ser a "barata" do pega-pega.
Foram tantas experiências maravilhosas que as poucas horas de choro por causa do castigo ou das varadas e, até mesmo as lágrimas que evidenciavam as dores que mesmo sem entender eu sentia na alma, ficaram em segundo plano. Mas essas coisas, agora, parecem ter se tornado bobas e por isso focamos a nossa atenção nos problemas que precisamos a qualquer custo resolver.
Quando vejo crianças que nunca souberam o prazer que é brincar de carrinho, boneca, pião ou esconde-esconde porque estão precocemente ocupadas demais com seus celulares, tablets e videogames, seguindo os passos de "seus adultos" não consigo evitar perguntas do tipo: que histórias elas terão para contar? como vão definir o seu próprio parâmetro para mensurar a felicidade?
Nossos jovens não sabem ouvir "não" porque nós não sabemos dizer a eles essa palavra. Fracassamos quando o assunto é impor limites porque passamos a vê-los apenas como restrições, como cercas que os impedem de encontrar a liberdade, quando há casos em que eles também são proteção para os perigos dos quais eles ainda não conseguem se proteger.
A nossa felicidade independe da fase em que estamos atravessando. Ela está relacionada a como nos permitimos ver a beleza nas coisas simples e sentir as pequenas alegrias, pois negligenciar isso implica em dar ênfase as tristezas e dores da vida. Talvez o problema não seja a ausência da felicidade, mas a nossa incapacidade de percebê-la, e consequentemente a nossa mania de negá-la às nossas crianças.

sábado, 15 de junho de 2019

MAIS UMA HOMENAGEM (11/05/2019)

Mamães... como homenageá-las?
Que palavras ainda não foram ditas?
O que não seria clichê?
A verdade é que vocês, mesmo sendo muitas, são únicas.
Cada uma tem seu jeitinho, seu charme,
Forma de demonstrar amor e de ver o mundo.
Quando temos frio vocês são capazes de se despir para nos manter aquecidos
Quando ainda temos fome, nos dão do seu próprio pedaço de pão.
Com seus beijos podem amenizar a dor não só dos arranhões, mas também das feridas da alma.
Seus abraços trazem conforto quando tudo parece desmoronar
E as suas lágrimas são como lubrificante para que continuem a sua árdua jornada.
Donas de casa, profissionais, companheiras, amigas, vasos de Deus!
Inúmeras funções para uma mesma pessoa.
Vocês são a prova de que milagres existem,
Pois são fora do natural.
Muitas poesias já foram escritas
Talvez, todas as palavras já tenham sido ditas, e
Inúmeras homenagens feitas,
Mas a verdade é que, dada a sua excepcional importância para as nossas vidas,
Nunca será demais lhes dizer o quanto nós as amamos.
Todos os dias são seus,
Mas infelizmente (e perdoe a nossa negligência) nem sempre vocês recebem de nós todo afeto, carinho e gratidão que merecem,
Então hoje, de maneira especial, queremos dizer:
FELIZ DIA DAS MÃES!

sábado, 13 de abril de 2019

FRAGMENTOS

Um dia veremos que cada experiência, circunstância e história aqui vivenciadas são apenas fragmentos de uma eternidade que haveremos de experimentar em sua totalidade. Então, enfim, entenderemos tudo de forma plena e perceberemos o quão tolos fomos superestimando coisas pequenas e fúteis como os estereótipos, os padrões que nos são impostos e a religiosidade, por exemplo, e menosprezando aquilo que é grande como o amor, os relacionamentos, os sorrisos, os abraços, as lágrimas e o tempo. Que nesse maravilhoso dia possamos sentir satisfação e gratidão por ter acordado de um sono profundo para uma realidade tão grande e majestosa quanto o infinito.

sábado, 19 de janeiro de 2019

TER MEDO

Um dia eu tive medo...
De crescer e perder as coisas boas da infância
De voar e não achar de volta o caminho pra casa
Tive medo de jamais poder voar.

Um dia eu tive medo...
De jamais poder crescer e experimentar as coisas de adultos
De um futuro sem aqueles que eu amo
Tive medo de que o medo me impedisse de viver o presente.

Um dia eu tive medo...
De estagnar e não conhecer o progresso
De mudar demais e perder a minha identidade
Tive medo de não conseguir mudar e me perder na minha incapacidade.

Eu ainda tenho muitos medos
E entre todos eles existe o de não mais medo sentir
Compreendi que sem ele não há coragem, pois assim ela não passaria de bobagem
Coisas daquelas que se falam, mas que ninguém pode sentir.

É o medo que nos desafia
Que nos faz decidir entre o confronto e a submissão
E é a resposta à sua provocação que define quem somos
É o medo que expõe os corajosos, os covardes, os inconsequentes e os prudentes.

sábado, 5 de janeiro de 2019

SÓ UM SONHO

Sonhei que a vida real não existia
Vivíamos em um livro
Daqueles que as moças apaixonadas gostam de ler.
Sonhei que não havia espaço, tempo ou crenças
Capazes de destruir um amor
Que, sem dúvidas, era verdadeiro.
Sonhei que era só questão de tempo
Até que o príncipe percebesse que não era um sapo
E que a princesa seria recompensada
Por sua coragem e valentia
Diante das bruxas, dos gigantes e da fúria do mar
Que um dia o seu amado voltaria
Em um belo cavalo branco
Para leva-la consigo ao seu palácio.
Sonhei que os pássaros entoavam a mesma melodia que eu
Enquanto passeava por jardins floridos
Colhendo margaridas para um buquê
E que o sol brilhava mais intenso,
Refletindo nas pedras brilhantes
Que enfeitavam o mais belo vestido já confeccionado
Pelas melhores artesãs do reino.
Sonhei que caminhava por um tapete vermelho
E do outro lado dele avistava você
Sem medos, traumas ou impedimentos
Eu corria para os seus braços
Nos quais eu me aconchegava e buscava proteção.
Sonhei que o seu amor era intenso como o meu
Sonhei que merecíamos um final feliz
Sonhei que tudo aquilo era para sempre
Sonhei que vivia um sonho do qual jamais acordaria
Sonhei
Sonhei
E sonhei
Até que a realidade me veio acordar.