domingo, 24 de abril de 2016

INEVITÁVEL DOR

Diante de tudo o que me tem acontecido, os vendavais da noite, as fortes ondas do revolto mar, que é a vida, não resta nada senão esperar, com o intuito de receber de Deus tudo o que me tem preparado, a seu devido tempo. Conforta-me a certeza de que no final tudo se resolverá e sem dúvida alguma desfrutarei da alegria de ter o que me é por misericórdia de Deus. A bênção do Senhor. Entretando, temo estar certa em ter plena convicção de que, até que tudo se ajeite, experimentarei mais uma dose da tão conhecida dor, de ter que deixar partir mais uma das expectativas por mim alimentada, ainda que por teimosia. Ah! Mas o que é a dor senão a resposta que o nosso corpo dá quando somos resbalados pela urgência de confrontar nossa emoção, simplesmente porque sua irmã, a razão, decidiu mais uma vez acabar com a festa e apagar a luz que outrora fora acesa, sabe-se lá por quem, nossa esperança ou carência. Tal dor nunca abandonou-me por longo período, tornara-se companheira nessa jornada em busca do amor. Não apenas o que se  sente, mas também aquele que se vivencia. Creio que ela tenha sido importante para o meu amadurecimento, tanto quanto a luz para o desenvolvimento de um flor. Talvez ela tenha se tornado como um instrumento de Deus, a fim de tornar-me forte, íntegra o bastante para receber de Si algo importante e guardá-lo com diligência. Bem, mas fato é que não vejo a hora de livrar-me dessa dor. Vê-la se esvaindo e abrindo lugar para o companheirismo, a amizade, a fidelidade, comprometimento e todos os outros elementos do conjunto formado pela união de dois outros conjuntos, que embora não fossem vazios, nunca antes puderam ser chamados de completos.